quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Não contra o Sim

Uma só bandeira


O ano que vem pode começar diferente para o povo do Pará.  Foi marcado para o dia 11 de dezembro o plebiscito que vai decidir o futuro do segundo maior Estado, em território do Brasil. Duas perguntas simples serão feitas aos eleitores e simples também serão as respostas que eles terão que dar, ‘sim’ ou ‘não’, para a divisão do Estado em três partes: Tapájos, Carajas e Pará.

O processo todo será bem objetivo, mas o impacto do resultado não será nem um pouco. De um lado o Sim, que tem, em sua maioria, moradores das duas partes que querem se dividir; do outro o Não, que tem como maioria os residentes no território que seria o novo Pará.

Veja aqui a diferença entre Plebiscito e Referendo

No entanto, como aconteceu no referendo de 2005, famosos começam a emitir suas opiniões. Eles se expõem em redes sociais e em programas de campanha das duas frentes. Como tudo que falam repercute muito, isso vem gerando discussão sobre como os famosos devem se portar diante dessa situação. Alguns acham um absurdo uma pessoa influente “meter o bedelho” em um assunto como esse. Outros acham que famosos são pessoas normais como todos nós e que têm o direito de expressar suas opiniões publicamente.

Dira Paes è contra a divisão
A atriz Dira Paes foi uma que sofreu com criticas de pessoas a favor da divisão ao emitir suas opiniões no Twitter. “As pessoas precisam aprender que eu sou uma pessoa qualquer e tenho direito de fazer minhas escolhas”, reclama a artista. Mesmo com as criticas, Dira continuou: “Sou contra a divisão do Pará. Existe outras maneiras de resolver os erros; com a divisão, os erros podem continuar. E depois?”.

“Para ‘ajeitar’ algo é preciso dividir? Então vamos ter que dividir o Brasil em vários, pois tem muita coisa errada aqui”, dispara a atriz, que mandou um recado para as pessoas que dizem que ela não é vive no Pará e, portanto, não teria legitimidade. “Tem algumas pessoas que dizem ‘mas a Dira Paes nem aqui mora mais’. Pessoas, eu trabalho no Rio e não tenho como levar a Globo para o Pará. Entendem?”. Nem os políticos escapam da ira de Dira: “Um recado para os deputados e senadores que dizem que sou do Rio e não do Pará: Políticos, eu saí do Pará para trabalhar no Rio, pois faço tudo com honestidade. Mas não saí do Pará para Brasília só pra passear não”.

As cantoras Fafá de Belém e Leila Pinheiro e o jogador Paulo Henrique Ganso também gravaram depoimentos a favor da não divisão, apesar de morarem fora do Estado, assim como Dira. Fafá, aliás, diz que a divisão é ideia de pessoas de fora. “Vieram para cá, ganharam dinheiro e agora querem poder político”. Isso não pode ser considerado uma mentira, sendo que a maioria do poder político das duas regiões, Tapajós e Carajás, é composta por pessoas que vieram de outras partes do país e que, mesmo com toda a força política que têm em seus domínios eleitorais, nunca conseguiram chegar ao governo de um Estado.

Paulo Henrique Ganso
Leila Pinheir
Fafá de Belém














A favor do Sim, o jornalista econômico Paulo Henrique Amorim deu o seu depoimento, com propriedade, em uma entrevista veiculada campanha televisiva explicando que não teria como não dar certo essa divisão. Mas, para internautas, o argumento do jornalista é apenas fachada. Muitos dizem que ele está completamente vendido para o marqueteiro que encabeça a campanha do Sim, Duda Mendonça, o mesmo que elegeu Lula e Duciomar. No Twitter, as opiniões contrarias a dele foram tantas no dia da veiculação da entrevista, que alcançaram os trands topics, ou seja, os assuntos mais comentados no microblog.


"Paulo Henrique Amorim como jornalista econômico saiu-se muito bem como ventríloquo golpista e remunerado” foram palavras de @titobarata na rede. Já @michelpinho foi mais ameno e declarou: “"Paulo Henrique Amorim falando da divisão do Pará tem tanta autoridade quanto a Xuxa falando sobre geopolitica".

A divisão também pode gerar a criação de mais cargos políticos, ou seja, mais vereadores, senadores, deputados, governadores com salários exorbitantes que literalmente custariam caro para a administração pública nacional. Alem de tudo isso, o governo federal passará a bancar os novos Estados até que possam se sustentar, criar palacetes e sedes de governos, o que também vai custar muito dinheiro. Assim, a gente se faz a pergunta: quem vai pagar por tudo isso? 

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